Era só mais uma viagem de autocarro. Nada mais. Simples. Rotineira. Abanada. Brusca. Aos soluços. Ao sol. À sombra. Nada mais. No entanto, fitavas com os teus olhos pretos o vidro da janela. Não. As tuas pupilas tremelicavam, dando-me o sinal de que não te ficavas pelo vidro mas que focavas os que passava lá fora, à velocidade de 50km/hora. Foi o teu olhar que me pôs a nu e mudamente me gritou que estava errada. Que aquela não era só mais uma viagem de autocarro. Rotineira. Era mais. Não consegui perceber o quê mas algo nos teus olhos dava um significado totalmente diferente à rotina da viagem de autocarro. Quis começar a imaginar um sem fim de histórias, todas hipóteses plausíveis de te trazer esse olhar aos olhos. Começaram a surgir várias, cada uma mais rebuscada do que a anterior, mas parei-me a mim mesma. Se não me dizias mais nada, não devia invadir a tua viagem de autocarro. Era tua. Sei que tinha um significado especial, qualquer. Mas era tua. Nem olhaste para mim. “Universidade Católica” e o frio encheu-me as narinas.quarta-feira, outubro 29, 2008
Era só mais uma viagem de autocarro. Nada mais. Simples. Rotineira. Abanada. Brusca. Aos soluços. Ao sol. À sombra. Nada mais. No entanto, fitavas com os teus olhos pretos o vidro da janela. Não. As tuas pupilas tremelicavam, dando-me o sinal de que não te ficavas pelo vidro mas que focavas os que passava lá fora, à velocidade de 50km/hora. Foi o teu olhar que me pôs a nu e mudamente me gritou que estava errada. Que aquela não era só mais uma viagem de autocarro. Rotineira. Era mais. Não consegui perceber o quê mas algo nos teus olhos dava um significado totalmente diferente à rotina da viagem de autocarro. Quis começar a imaginar um sem fim de histórias, todas hipóteses plausíveis de te trazer esse olhar aos olhos. Começaram a surgir várias, cada uma mais rebuscada do que a anterior, mas parei-me a mim mesma. Se não me dizias mais nada, não devia invadir a tua viagem de autocarro. Era tua. Sei que tinha um significado especial, qualquer. Mas era tua. Nem olhaste para mim. “Universidade Católica” e o frio encheu-me as narinas.quinta-feira, setembro 25, 2008
Rotina
domingo, setembro 14, 2008
departure
quinta-feira, setembro 04, 2008
21 :)
segunda-feira, agosto 04, 2008
IEEEEIIE!!! :) :)
quinta-feira, julho 10, 2008
segunda-feira, julho 07, 2008
COMO?!?
dp ponho mais fotos!
Recordando (trazendo de novo ao coração) :) ...
segunda-feira, junho 23, 2008
waiting
Só queria poder fazer planos e sentir a vida a começar... :(.
sexta-feira, junho 20, 2008
Programa de combate à iliteracia e ao analfabetismo cultural
A cultura é um dos bens mais preciosos da Humanidade e representa, em cada geração, o principal legado que os que nos precederam nos deixaram. Devemos todos, portanto, conhecer e respeitar essa herança para que possamos transmiti-la aos que nos seguem… Ainda que a cultura tenha muitas facetas (a música, as artes visuais e plásticas, a filosofia, etc., etc.), a verdade é que um dos elementos essenciais dessa herança se revela na literatura, na escrita que os nossos antepassados cultivaram e que os nossos contemporâneos continuam a produzir. Foi em prosa ou poesia, em romances, novelas ou contos, em ensaios ou manifestos que gerações e gerações de pessoas se exprimiram, pensaram, afirmaram ou se divertiram…
Seja a nossa profissão arquitecto, desenhador, jurista, músico, economista, artista plástico, professor, gestor, político, etc., é essencial que nos sintamos inseridos nesse património, de forma a não ficarmos à margem dos debates de ideias do nosso tempo. Aliás, mesmo a um profissional de limpeza de sanitas fará jeito essa familiarização com o património cultural dos nossos antepassados: ainda que isso não melhore directamente a sua competência para pôr sanitas a reluzir, ajudará a fazer dele um tipo capaz de se divertir e de pensar sobre si próprio… A ser mais Homem, portanto!
Assim, e dadas as lacunas que em casa se sentem nessa matéria, com efeitos terríveis a prazo, elaborou-se um “Programa de combate à iliteracia e ao analfabetismo cultural”.
Objectivo: No prazo de 6 meses, ler e fazer uma pequena ficha de leitura de um conjunto escolhido de obras da literatura mundial e da literatura em língua portuguesa. A pequena ficha deverá também incluir uma pequena biografia do autor e um mini retrato do tempo em que o livro foi escrito (pode usar-se a internet para fazer esta parte do trabalho).
O programa não pode ser encarado como um hobby nem será coisa que ninguém faça “por gosto”… Ao contrário, terá de ser olhado como “trabalho”, como uma seca horrível mas… obrigatória! Será preciso fazer um plano de leituras e disponibilizar pelo menos 3-4 horas diárias para ler, à secretária, com boa luz, em silêncio, sem interrupções, apenas fazendo breves pausas, de hora a hora, para descansar ou trincar qualquer coisa. Ninguém vai achar divertido fazê-lo! É como um remédio malcheiroso que é preciso tomar para nos vermos livres de uma grave doença que nos está a matar (uma morte que, neste caso, é intelectual mas que não deixa de ser tão dramática como a morte física)!
Como o passado mostra que ninguém pode apenas confiar na sua própria força de vontade, haverá um controle diário do número de páginas lidas bem como das fichas de leitura concluídas. Todos os dias logo após o jantar… Sem excepção nem falha! Quem passar no controle, poderá, então, usar uma parte do serão para o computador (chat, jogo ou outro), para ver televisão, para ir à garagem … Nos casos em que a apreciação do trabalho feito tiver sido muito boa, será possível ainda obter autorização para usar uma parte do dia seguinte para outras coisas como andar de bicicleta, estar com amigos/amigas, etc. Em caso de falha, não haverá nem TV, nem computador, nem garagem, nem saídas para fora de casa até os objectivos estarem de novo em dia!
Ao lado deste programa de emergência, cada um dos filhos deverá ainda produzir o seu próprio plano de progresso/recuperação noutras áreas:
(…)
Além disso, deverão fazer, todas as semanas, duas mini-leituras adicionais em inglês, de artigos da Newsweek e do Economist que serão seleccionados pelo pai todas as semanas.
No que respeita às filhas e aos pais, o objectivo de todos terem lido os livros propostos até final do ano também se aplica. Quem já leu mais, está melhor: tem menos para ler agora…
Lista de livros obrigatórios (literatura mundial)
Literatura anglo-saxónica
Literatura russa
Literatura francesa
Alexandre DUMAS, O Conde de Monte Cristo
André MALRAUX, A Condição Humana
Marcel PROUST, Em Busca do Tempo Perdido – 1º volume
Gustave FLAUBERT, Madame Bovary
Honoré de BALZAC, A Comédia Humana
Victor HUGO, Os Miseráveis
Albert CAMUS, A Peste
Emile ZOLA, Nana
François VOLTAIRE, Cândido
Jules VERNE, Volta ao Mundo em 80 Dias
Literatura italiana
G. Tomaso di LAMPEDUSA, O Leopardo
Literatura espanhola
Literatura alemã
Franz KAFKA, A Metamorfose
Tomas MANN, A Montanha Mágica
Literatura do Norte da Europa
Lista de livros obrigatórios (língua portuguesa)
terça-feira, junho 10, 2008
quarta-feira, maio 21, 2008
fogo que arde e se vê! :)
quinta-feira, maio 15, 2008
WOOHOOOO!! :)
Retrato de uma homenagem
Tonta de sono e a maldizer os atrasos recorrentes dos autocarros entre dentes – mas com aquela bonomia portuguesa de quem gosta de refilar por tudo e por nada, aquela ligeireza de quem conta antecipadamente com a imprevisibilidade das coisas e se deixa encantar pela falta de controlo que tem sobre quase todas elas – lá subi eu para o autocarro. Ia um pouco atrasado, como sempre, mas chegava à justa, sobretudo se o condutor se pensasse piloto de rally e esticasse um pouco a máquina a subir os Combatentes. Chegar a horas eu chegava, pior era o sono, o cansaço… Nem que tivesse de tomar cinco cafés de enfiada, não, aquilo eu não perdia nem por nada.
Religiosamente, como quem cumpre um ritual sagrado pela última vez, lá fui para a sala três, a sala do canto naquele claustro histórico, a sala com o nome de um qualquer ilustre jurista, de que não me lembro ou não sei ou desconheço, porque para mim, ali, naquele momento, ilustre havia só um e eu estava a vê-lo cruzar a ombreira da porta.
Não há como esquecer aqueles olhos pequeninos, que nos olham por detrás dos óculos de massa, aquele sorriso que nos conduziu pelos meandros do Direito Penal, pelos risos do humor e pelo fascínio de quem ama o que faz e é dotado de uma invejável lucidez sobre o mundo, sobre a vida, sobre o Homem. Costa Andrade é um homem apaixonado. Talvez por isso as suas aulas tenham sido sempre tão apaixonantes.
Desta vez, a sala não estava cheia. Mas os fiéis mais convertidos lá estavam. A ouvir o agradecimento dele, a beber a humildade dele, a ouvi-lo dizer que tinha pena de não poder ter tido uma relação mais pessoal com os seus alunos, connosco, mas que nós ainda éramos muitos e que para além das aulas ele tinha imenso trabalho, mas que tinha gostado imenso do curso deste ano e que desejava profundamente que todos nós passássemos logo à primeira – claro, acrescentou no seu toque de humor, que mais não fosse pela razão prática de assim só ter de fazer um exame! E nós rimos com ele, partilhando daquela sensação incrível que é a reciprocidade.
Eu confesso que estava estupidamente emocionada. E daí, estávamos todos. Quando ele nos desejou boa sorte para a vida, um rugir de palmas caiu sobre a sala, quarenta almas ficaram de pé, como no fim de uma excelente peça de teatro, em homenagem espontânea ao mestre. E ele, que não gosta nada destas coisas, fazia gestos com a mão para nós pararmos, no meio de sorrisos. Ele, como eu, tem alergia a formalismos atávicos, parolos, e coisas dessas é o que mais abunda naquela faculdade, onde se aplaude de pé por tudo e por nada, sobretudo quando não há nada a aplaudir. Muitos professores ali inchariam em vénias perante tal demonstração, ainda que ela fosse meramente formal. Costa Andrade ficou visivelmente emocionado, tão emocionado que ficou sem saber bem como reagir. Chamando a assistente para ao pé de si, estendendo o aplauso para ela, disse muito simplesmente quando parámos: “ Para a próxima aula não vos digo nada!”.
segunda-feira, maio 05, 2008
adeus eferreá?
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