Amor, espero por ti numa noite escura, Aguardo atenciosamente a tua chegada, Abrupta, intensa, genial e arrebatadora. Anseio pelo teu colo, pelo teu abraço, Pelo teu toque, pelo teu corpo. Desejo os teus olhos, os teus lábios e a tua mão sobre a minha. Amo terrivelmente esta vontade de te amar E sofro miseravelmente por saber que é impossível Um amor entre nós. Amo exacerbadamente a vida que poderíamos levar juntos, Amo as conversas que poderíamos ter pela noite dentro, Amo as risadas que poderíamos dar com as brincadeiras recíprocas, Amo os abraços e beijos e toques em face das fragilidades mútuas, Amo o calor que poderíamos sentir dentro do peito De saber cá dentro um amor pleno e sem jeito. Amor, espero por ti numa noite fria, Aguardo loucamente a tua chegada, Grande, imensa, brutal e maravilhosa. Anseio pela tua metade que com a minha metade Seria a goiaba mais doce do mundo E desejo secretamente que me ames pela calada Até que a virilidade da tua alma doce Se entrelace a fundo com a minha vontade. Quando o momento chegar, meu Amor, seremos Um só, indivisível e livre, como só se pode ser No Amor pleno e imenso que contigo sonho viver.
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Amor, Amor
domingo, janeiro 22, 2006
Aurora
sábado, janeiro 21, 2006
Poema a duas... :)
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Aqui
sábado, janeiro 07, 2006
Nova Mensagem - escolhas
terça-feira, janeiro 03, 2006
Nova Mensagem... Sêrá?
E se três palavras escrevessem uma vida?...
domingo, janeiro 01, 2006
Bom ano!
terça-feira, dezembro 13, 2005
Gosto de ti
Gosto daqueles dias de Inverno em que o Sol, contra o frio, contra o vento e contra a vontade dos deuses, se insinua docemente sobre a harmonia das coisas. E, quase num finca-pé divino, alastra sobre o mundo os seus raios gelados, porque, por mais vontade que tenha de desafiar o frio, este existe, e está aqui e não desiste de ganhar ao sol esta disputa. Gosto da beleza exótica que esta luta proporciona: a combinação entre a brisa fresca, que trava e liberta os pulmões, e o sol docinho que amorna a pele… Hum… divino…
Fico imóvel, deixando o pensamento discorrer livremente, como esta aragem fininha que me beija os cabelos. Ouço o silêncio da concentração total, mas, mal tenho consciência dela, perco-a. Começo então a ouvir os ruídos do mundo: vozes… masculinas, femininas juntas, sozinhas… gravilha… passos – alguém caminha. Talvez uma caminhada apaixonada? Beijos, abraços, palavras lindas e carícias à alma…
Irrompe então o tic toc dos saltos altos… passo apressado em compasso alterado. Tic toc, tic toc, tic toc, tic toc, tic toc, tic toc – tic – toc – tic – toc – tic toc, tic toc, tic toc; alguém pigarreia. Qual será o motivo? Quer clarear a garganta ou quer ser ouvido? Calou-se, talvez ouvindo os meus pensamentos interrogativos. Desculpe, amigo, não quis interromper o seu pigarrear. Estou desculpada? Engraçado, o silêncio desapareceu completamente, mas a concentração cá está. Virei-me do avesso. Agora ouço é os sons deste espaço e não as minhas vozes interiores. Oh, eu até estava a gostar de me ouvir! Chiu! Chiu! Quero ouvir-me outra vez! Quero ouvir as minhas vozes! Mas?... Espera, agora ouço ao longe o burburinho de uma multidão. É um ruído de fundo, desagradável; agora que penso nisso, é quase infernal! Ai! Até ensurdece a minha mudez! E aumenta e aumenta e aumenta e já não ouço mais nada se não a multidão! Ah, calem-se por favor! Poupem-me às vossas conversas de circunstância que nem ouço mas que adivinho desse som contínuo e indiferenciado produzido pelas vossas cordas vocais, como se vos ouvisse individualmente! Pa ta ti pa ta tã! Como a comunicação é às vezes tão absurda e às vezes tão essencial! E como são tão débeis os canais de comunicação!... Ah, poder desligar o botão que me faz ouvir a multidão… não ouvir mais esta estranha mistura de sons e poder concentrar-me apenas no que realmente interessa…
Parece que o sol se foi embora. E a minha vontade de escrever foi com ele. Ainda hoje me pergunto por que somos tão voláteis e incompreensíveis. Quem me dera ser a brisa fresca que me beijou hoje os cabelos. Assim não tinha de pensar em nada, nem de construir relações, nem de alimentar afectos. Bastar-me-ia chegar de mansinho perto das pessoas e, sem magoar ninguém, beijá-las carinhosamente, como quem pisca o olho maroto e diz “Gosto de ti”.
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Pego no violino...
sexta-feira, novembro 18, 2005
áfrica minha...
terça-feira, novembro 08, 2005
Aula de introdução ao direito... :)
Reminiscência
Um poema pouco conhecido, mas lindíssimo. Claro que não fui eu que escrevi. eheh : )
Reminiscência
sexta-feira, novembro 04, 2005
Sísifo
Nota (não sei se importante): Sísifo é uma personagem mitólogica condenada pelos deuses a empurrar eternamente uma pedra montanha acima. Sempre que alcançava o topo, a pedra rolava outra vez para o sopé da montanha. Inutilmente. (Tal como nós?... Como quase tudo, é discutível. Mas quem não sente de vez em quando que carrega com esforço uma pedra pesadíssima só para no fim a ver rolar outra vez cá para baixo?)
terça-feira, novembro 01, 2005
Alice
Sinopse:
Passaram 193 dias desde que Alice foi vista pela última vez. Todos os dias Mário, o seu pai, sai de casa e repete o mesmo percurso que fez no dia em que Alice desapareceu. A obsessão de a encontrar leva-o a instalar uma série de câmaras de vídeo que registam o movimento das ruas. No meio de todos aqueles rostos, daquela multidão anónima, Mário procura uma pista, uma ajuda, um sinal... A dor brutal causada pela ausência de Alice transformou Mário numa pessoa diferente mas essa procura obstinada e trágica, é talvez a única forma que ele tem para continuar a acreditar que um dia Alice vai aparecer.Alice. É, para mim, um filme estranho. E não é por ser português, não é por não ter um enredo com acção intensa e tiros e grandes reviravoltas. Não. É simplesmente um filme estranho, um filme deprimente, parado e angustiante. Não lhe achei enredo convincente (para além do óbvio - o desaparecimento de Alice e a busca obsessiva do seu pai), nem força interpretativa do actor principal, cuja personagem parecia de papel, embora todos os silêncios prolongados, todos os diálogos curtos e intensos tivessem uma força expressiva arrepiante. O ritmo lento (lentíssimo), embora cansativo, pareceu-me o ritmo adequado ao tema, bem como a repetição de espaços, personagens e ambientes sórdidos. Pelo menos exalta o valor da esperança e revela a dificuldade de a manter com a passagem do tempo... Do que gostei mesmo mais foi a música, que achei brilhante, sobretudo pela simplicidade do tema principal, recorrentemente ouvido, e que ficou a ressoar nas nossas cabeças bem para lá dos créditos finais.
Não aconselho nem desaconselho (quem sou eu para o fazer?). Apenas deixo aqui o meu testemunho, juntamente com a esperança que deposito no cinema português de que um dia, se é que não o começa a fazer já, traga a qualidade de representação e a universalidade de temas que sei existir em Portugal para as salas de cinema. E que, nessa altura, espectadores orgulhosos e apaixonados encham as salas nacionais gritando: "Viva o cinema português!"


